Chamada de trabalhos para o quarto número da revista on-line

Revista Épicas dedicado a "História e Mito em epopeias de Língua Portuguesa"

Coordenação do número:

Ana Mafalda Leite (Univ. de Lisboa)

Christina Ramalho (Universidade Federal de Sergipe)

Dossiê temático: “História e Mito em epopeias de Língua Portuguesa”

As literaturas de Língua Portuguesa, em que pesem a sua diversidade e os interesses temáticos próprios, herdaram, do universo cultural português, uma expressão épica de valor universal, Os Lusíadas, de Luís de Camões, que, em sua época, ousou transgredir alguns paradigmas da épica clássica, ampliando a participação do poeta no mundo narrado e inserindo aspectos históricos e míticos criativamente trabalhados como forma de reforçar o próprio teor da matéria épica do poema. No Brasil, por exemplo, a epopeia camoniana gerou uma tradição épica brasileira que teve em Camões um modelo para as produções dos séculos XVII, XVIII e XIX. Mesmo no século XX, a herança camoniana se vê em obras como a brasileira Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima, e a moçambicana As Quybyrycas, de António Quadros. Além disso, contudo, muitas dessas literaturas, principalmente após o século XIX, experimentaram formas próprias de trabalhar suas matérias épicas, de que são exemplos A cabeça calva de Deus, do cabo-verdiano Corsino Fortes ou No fundo do canto, da guineense Odete Semedo, que, inclusive, nega o sentido épico de seu poema. Em Portugal, obras como a do português Gonçalo Tavares, Uma viagem à Índia, atestam a permanência de um gênero por muitos considerado como extinto. Fora do eixo da herança camoniana, encontram-se, ainda, epopeias que dialogaram diretamente com a tradição clássica, como A gesta de Mem de Sá, de José de Anchieta. Outro curioso fenômeno é a derivação narrativa da epopeia, presente em romances de cunho mítico-histórico encontrados na produção literária das ex-colônias portuguesas.

 

Por outro lado, uma vez que as epopeias se caracterizam pela presença dos planos histórico e maravilhoso, é importante refletir sobre os próprios conceitos de História e Mito, principalmente em tempos pós-coloniais, quando o espaço dado às, até então, “minorias” tanto deflagra a revisão literária do sentido de História como recupera aspectos míticos e culturais identitários neglicenciados por sociedades conduzidas pela ótica do colonizado como subalterno. Assim, a proposta deste número da Revista Épicas é, de modo geral, verificar em que medida produções épicas em Língua Portuguesa podem ter contribuído nos processos de afirmação de identidades nacionais, ou, em tempos de globalização, podem ser vistas como signos de uma expressão contracultural. Dentro dessa concepção de abordagem, definimos dois eixos de reflexão sobre a produção de poemas épicos e narrativas épicas no contexto das literaturas de Língua Portuguesa:

 

 

1. Representações da História

Estudo de obras épicas escritas em Língua Portuguesa a partir do foco nas representações históricas nelas contidas, com ênfase especial nos aspectos revisionistas, no diálogo com a tradição importada e na redefinição da matéria histórica a partir do recurso de se assumir o discurso épico como lugar de fala.

 

2. Representações do Mito

Estudo de obras épicas escritas em Língua Portuguesa a partir do foco nas imagens míticas nelas contidas, de modo a se verificarem tanto a releitura de mitos importados como a valorização de imagens míticas próprias, objetivando promover a construção de uma identidade épica particular.

 

O prazo para o envio de propostas de artigos (revistaepicas@gmail.com), numa das línguas do CIMEEP, é 15 de dezembro de 2018. O limite máximo é de 80.000 caracteres com espaços. Devem vir acompanhados de um resumo em inglês e na língua do artigo. Agradecemos que respeitem as normas para colaborações, que podem ser consultadas no site www.revistaepicas.com.

Todos os autores receberão uma resposta final do Conselho Editorial até 30 de janeiro de 2019; e a publicação on-line está prevista para 30 de março de 2019.

Appel à contributions pour le quatrième numéro de la revue en ligne Revista Épicas consacré à « Histoire et Mythe dans les épopées en Langue Portugaise »

 

Coordination du numéro:

Ana Mafalda Leite (Universidade de Lisboa)

Christina Bielinski Ramalho (Universidade Federal de Sergipe)

Dossier thématique : “Histoire et Mythe dans les épopées en langue portugaise”

Les littératures en langue portugaise, en dépit de leur diversité et de leurs spécificités thématiques, ont hérité de l'univers culturel portugais une expression épique commune, Les Lusiades de Luís de Camões, qui a en son temps osé transgresser certains paradigmes de l'épopée classique, en élargissant la participation du poète dans le monde raconté et en insérant des aspects historiques et mythiques de manière créative. Le Brésil a ainsi trouvé en Camões un modèle pour sa production épique aux XVIIe, XVIIIe et XIXe siècles. Au XXe siècle encore, son influence est sensible dans des œuvres telles que Invenção de Orfeu, du brésilien Jorge de Lima, comme dans As Quybyrycas, du mozambicain António Quadros. En dehors de l'axe de l'héritage camonien, on trouve aussi en langue portugaise des épopées qui dialoguent directement avec la tradition classique, comme A Gesta de Mem de Sá, de José de Anchieta. Mais beaucoup de ces littératures, surtout après le XIXe siècle, ont trouvé également leurs propres façons de travailler les matériaux épiques. On pense par exemple à A cabeça calva de Deus, du capverdien Corsino Fortes, ou au phénomène de dérivation narrative de l'épopée, présente dans les romans mythologiques et historiques dans la production littéraire des anciennes colonies portugaises. L'œuvre de la guinéene Odete Semedo : No fundo do canto (qu'on considère en général comme une épopée malgré les dénégations de l'auteure), comme Uma viagem à Índia, du portugais Gonçalo Tavares, attestent de la permanence et de la transformation d'un genre considéré comme disparu par de nombreux critiques littéraires.

La présence concomitante dans l'épopée des plans historique et merveilleux mène à réfléchir aux concepts mêmes d'Histoire et de Mythe. C'est particulièrement important pour la période post-coloniale, quand l'espace donné aux « minorités » d'un côté remet en question la révision littéraire du sens de l'Histoire et, de l’autre, récupère les aspects identitaires, mythiques et culturels négligés par les sociétés menées par l'optique du colonisé comme subalterne. Le but de ce numéro de la Revista Épicas sera ainsi, de façon générale, de vérifier dans quelle mesure des productions épiques en langue portugaise peuvent avoir contribué au processus de formation des identités nationales, et, de façon plus particulière, en quoi elle peuvent être vues dans les temps de la mondialisation comme le signe d'une expression contre-culturelle.

Deux axes de réflexion sont proposés :

1. Représentations de l'Histoire

Étude d'œuvres épiques écrites en langue portugaise à partir des représentations historiques qu’elles contiennent, avec un accent particulier sur les aspects révisionnistes, sur le dialogue avec la tradition importée et sur la redéfinition de la matière historique dans le but d'assumer l’épique comme un lieu de discours.

2. Représentations du Mythe

Étude d'œuvres épiques écrites en langue portugaise à partir des images mythiques qu’elles contiennent, afin d'analyser à la fois la relecture des mythes importés et la valorisation de leurs propres images mythiques, visant à promouvoir la construction d'une identité épique particulière.

 

La date limite d’envoi des propositions d’articles (revistaepicas@gmail.com), dans l’une des langues du CIMEEP est le 15 décembre 2018. La limite de longueur pour les articles sera de 80 000 signes, espaces compris. Ils devront être accompagnés d’un résumé anglais et d’un résumé dans la langue de l’article. Nous vous remercions de respecter les normes de la revue consultables sur son site www.revistaepicas.com.


Tous les auteurs recevront une réponse définitive du comité éditorial avant le 30 janvier  2019; la publication en ligne est prévue pour le 30 mars 2019.

Convocatoria de recepción de artículos para el cuarto número de la revista en línea

Revista Épicas dedicado a "Historia y Mito en epopeyas en Lengua Portuguesa"

 

Coordinación de este número:
Ana Mafalda Leite (Universidade de Lisboa)

Christina Ramalho (Universidad Federal de Sergipe)

Dossier temático: “Historia y Mito en Epopeyas en Lengua Portuguesa”

Las obras de literatura en portugués, a pesar de su diversidad y sus propios intereses temáticos, han heredado del universo cultural portugués una expresión épica de valor universal presentada en Los Lusíadas, de Luís de Camões. Este autor, en su tiempo, se atrevió a transgredir algunos paradigmas de la epopeya clásica, ampliando la participación del poeta en el mundo narrado e insertando aspectos históricos y míticos creativamente trabajados como forma de reforzar el propio contenido de la materia épica del poema. En Brasil, por ejemplo, la epopeya de Camões generó una tradición épica brasileña que tuvo en Los Lusíadas un modelo para las producciones de los siglos XVII, XVIII y XIX. En el siglo XX, la misma herencia se percibe en obras como la brasileña Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima, y la mozambiqueña As Quybyrycas, de António Quadros. Además, muchas de estas literaturas, principalmente después del siglo XIX, experimentaron formas propias de trabajar sus materias épicas, de que son ejemplos A cabeça calva de Deus, del caboverdiano Corsino Fortes o No fundo do canto, de la guineana Odete Semedo, que incluso niega el sentido épico de su poema. En Portugal, producciones como la de Gonçalo Tavares, Uma viagem à Índia, dan fe de la permanencia de un género muchas veces considerado extinto. Fuera del eje de la herencia de Camões, se encuentran, además, epopeyas que dialogaron directamente con la tradición clásica, como A gesta de Mem de Sá, de José de Anchieta. Otro fenómeno curioso es la derivación de la epopeya presente en novelas de carácter mítico e histórico que se puede encontrar en la producción literaria de las antiguas colonias portuguesas.


Por otro lado, una vez que las epopeyas se caracterizan por la presencia de los planos histórico y maravilloso, es importante reflexionar acerca de los propios conceptos de Historia y Mito, principalmente en tiempos poscoloniales, cuando el espacio dado a las hasta entonces denominadas "minorías" tanto deflagra la revisión literaria del sentido de Historia, como recupera aspectos míticos y culturales identitarios olvidados por sociedades conducidas por la óptica del colonizado como subalterno. Por lo tanto, el propósito de este número de la Revista Épicas es, en general, comprobar como las producciones épicas escritas en lengua portuguesa pueden haber contribuido en los procesos de afirmación de las identidades nacionales, o, en tiempos de globalización, pueden ser vistas como signos de una expresión contracultural. Dentro de este enfoque, se definen dos ejes de reflexión acerca de las producciones épicas en el contexto de las literaturas de Lengua Portuguesa:

 

1. Representaciones de la Historia

Estudio de epopeyas escritas en lengua portuguesa desde el foco en las representaciones históricas que contienen, con especial énfasis en los aspectos revisionistas, en el diálogo con la tradición importada y en la redefinición del material histórico cuya intención es asumir un discurso propio.

2. Representaciones del Mito

Estudio de epopeyas escritas en lengua portuguesa desde el enfoque de las imágenes míticas que presentan tanto la presencia de relecturas de mitos importados, como la valoración de imágenes míticas propias cuyo objetivo es promover la construcción de una identidad épica particular.

 

La fecha límite para enviar el artículo en uno de los idiomas CIMEEP (disponibles en revistaepicas@gmail.com) es el 15 de diciembre de 2018.  Los textos deben tener un límite de 80.000 caracteres, incluidos los espacios e deben estar acompañados de un resumen en inglés y otro en el idioma del artículo. Pedimos que sean observadas las directrices de la revista disponible en: www.revistaepicas.com.

 

Todos los autores recibirán una respuesta final del Consejo Editorial antes del 30 de enero de 2019; y la publicación en sitio web está prevista para el 30 de marzo de 2019.

Call for papers for the fourth issue of the online journal Revista Épicas dedicated to "History and Myth in Portuguese Languagen epic poems"

Coordination number:
Ana Mafalda Leite (Universidade Federal de Sergipe)

Christina Ramalho (Universidade Federal de Sergipe)

 

Thematic dossier: "History and Myth in Portuguese Language epic poems"

Despite their diversity and their own thematic interests, literature in Portuguese inherited, from the Portuguese cultural universe, an epic expression of universal value given by Os Lusíadas, by Luís de Camões. Camões was able to transgress some paradigms of the classical epic and was able to expand the participation of the poetic voice in the narrated world. Camões inserted historical and mythical aspects with originality to reinforce the epic characteristics of the poem. In Brazil, for example, Os Lusíadas generated a Brazilian epic tradition that had in Camões a model for the productions of the 17th, 18th and 19th Centuries. Even in the 20th century, the Camonian heritage is seen in works such as the Brazilian, Invenção de Orfeu, by Jorge de Lima, and the Mozambican, As Quybyrycas, by António Quadros. Many of these literatures, especially after the nineteenth century, presented in different ways their epic subjects, such as the A cabeça calva de Deus, by the Cape Verdean Corsino Fortes, or No fundo do canto, by the Guinean Odete Semedo, which even denies the epic sense of her poem. In Portugal, works such as Uma viagem à Índia, by the Portuguese Gonçalo Tavares, attest to the permanence of a genre by many considered extinct. Outside the axis of the Camonian inheritance, there are also epic poems that dialogue directly with the classical tradition, such as A Gesta de Mem de Sá, by José de Anchieta. Another curious phenomenon is the narrative derivation of the epic, present in mythical-historical novels found in the literary production of Portuguese ex-colonies.

On the other hand, since the epics are characterized by the presence of historical and marvelous plans, it is important to reflect on the concepts of History and Myth. This is especially important in postcolonial times when the space given to hitherto "minorities" both deflagrates the literary revision of the sense of History and recovers mythical and cultural identity aspects neglected by colonial societies and understood as a subaltern. Thus, the proposal of this issue of Revista Épicas is, in general, to verify to what extent epic productions in Portuguese Language may have contributed to the processes of affirmation of national identities, or, in times of globalization, be signs of a countercultural expression. Within this conception of approach, we define two axes of reflection on the production of epic poems and epic narratives in the context of Portuguese Language Literatures:

1. Representations of History

Study of epic works written in Portuguese with a focus on the historical representations, with a special emphasis on:  revisionist aspects, the dialogue with imported tradition, and the redefinition of historical matter from the resource of assuming the epic discourse as a place of dialogue.

 

2. Representations of the Myth

Study of epic works written in Portuguese with an emphasis on the mythical images that verify both the re-reading of imported myths and the valuation of their own mythic images, aiming to promote the construction of an epic identity.

 

Articles may be written in English, French, Spanish, Portuguese or German. (please send to revistaepicas@gmail.com). The deadline for submission is December 15th, 2017. The norms and procedures for publication can be found on the following website: www.revistaepicas.com.

 

The Editorial Board’s evaluation will be sent to all authors by January 30th, 2018. This publication is scheduled for March 30, 2019.

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