Chamada de trabalhos para o quarto número da revista on-line

Revista Épicas dedicado a "História e Mito em epopeias de Língua Portuguesa"

Coordenação do número:

Ana Mafalda Leite (Univ. de Lisboa)

Christina Ramalho (Universidade Federal de Sergipe)

Dossiê temático: “História e Mito em epopeias de Língua Portuguesa”

As literaturas de Língua Portuguesa, em que pesem a sua diversidade e os interesses temáticos próprios, herdaram, do universo cultural português, uma expressão épica de valor universal, Os Lusíadas, de Luís de Camões, que, em sua época, ousou transgredir alguns paradigmas da épica clássica, ampliando a participação do poeta no mundo narrado e inserindo aspectos históricos e míticos criativamente trabalhados como forma de reforçar o próprio teor da matéria épica do poema. No Brasil, por exemplo, a epopeia camoniana gerou uma tradição épica brasileira que teve em Camões um modelo para as produções dos séculos XVII, XVIII e XIX. Mesmo no século XX, a herança camoniana se vê em obras como a brasileira Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima, e a moçambicana As Quybyrycas, de António Quadros. Além disso, contudo, muitas dessas literaturas, principalmente após o século XIX, experimentaram formas próprias de trabalhar suas matérias épicas, de que são exemplos A cabeça calva de Deus, do cabo-verdiano Corsino Fortes ou No fundo do canto, da guineense Odete Semedo, que, inclusive, nega o sentido épico de seu poema. Em Portugal, obras como a do português Gonçalo Tavares, Uma viagem à Índia, atestam a permanência de um gênero por muitos considerado como extinto. Fora do eixo da herança camoniana, encontram-se, ainda, epopeias que dialogaram diretamente com a tradição clássica, como A gesta de Mem de Sá, de José de Anchieta. Outro curioso fenômeno é a derivação narrativa da epopeia, presente em romances de cunho mítico-histórico encontrados na produção literária das ex-colônias portuguesas.

 

Por outro lado, uma vez que as epopeias se caracterizam pela presença dos planos histórico e maravilhoso, é importante refletir sobre os próprios conceitos de História e Mito, principalmente em tempos pós-coloniais, quando o espaço dado às, até então, “minorias” tanto deflagra a revisão literária do sentido de História como recupera aspectos míticos e culturais identitários neglicenciados por sociedades conduzidas pela ótica do colonizado como subalterno. Assim, a proposta deste número da Revista Épicas é, de modo geral, verificar em que medida produções épicas em Língua Portuguesa podem ter contribuído nos processos de afirmação de identidades nacionais, ou, em tempos de globalização, podem ser vistas como signos de uma expressão contracultural. Dentro dessa concepção de abordagem, definimos dois eixos de reflexão sobre a produção de poemas épicos e narrativas épicas no contexto das literaturas de Língua Portuguesa:

 

 

1. Representações da História

Estudo de obras épicas escritas em Língua Portuguesa a partir do foco nas representações históricas nelas contidas, com ênfase especial nos aspectos revisionistas, no diálogo com a tradição importada e na redefinição da matéria histórica a partir do recurso de se assumir o discurso épico como lugar de fala.

 

2. Representações do Mito

Estudo de obras épicas escritas em Língua Portuguesa a partir do foco nas imagens míticas nelas contidas, de modo a se verificarem tanto a releitura de mitos importados como a valorização de imagens míticas próprias, objetivando promover a construção de uma identidade épica particular.

 

O prazo para o envio de propostas de artigos (revistaepicas@gmail.com), numa das línguas do CIMEEP, é 15 de dezembro de 2018. O limite máximo é de 80.000 caracteres com espaços. Devem vir acompanhados de um resumo em inglês e na língua do artigo. Agradecemos que respeitem as normas para colaborações, que podem ser consultadas no site www.revistaepicas.com.

Todos os autores receberão uma resposta final do Conselho Editorial até 30 de janeiro de 2019; e a publicação on-line está prevista para 30 de março de 2019.

Appel à contributions pour le quatrième numéro de la revue en ligne Revista Épicas consacré à « Histoire et Mythe dans les épopées en Langue Portugaise »

 

Coordination du numéro:

Ana Mafalda Leite (Universidade de Lisboa)

Christina Bielinski Ramalho (Universidade Federal de Sergipe)

Dossier thématique : “Histoire et Mythe dans les épopées en langue portugaise”

Les littératures en langue portugaise, en dépit de leur diversité et de leurs spécificités thématiques, ont hérité de l'univers culturel portugais une expression épique commune, Les Lusiades de Luís de Camões, qui a en son temps osé transgresser certains paradigmes de l'épopée classique, en élargissant la participation du poète dans le monde raconté et en insérant des aspects historiques et mythiques de manière créative. Le Brésil a ainsi trouvé en Camões un modèle pour sa production épique aux XVIIe, XVIIIe et XIXe siècles. Au XXe siècle encore, son influence est sensible dans des œuvres telles que Invenção de Orfeu, du brésilien Jorge de Lima, comme dans As Quybyrycas, du mozambicain António Quadros. En dehors de l'axe de l'héritage camonien, on trouve aussi en langue portugaise des épopées qui dialoguent directement avec la tradition classique, comme A Gesta de Mem de Sá, de José de Anchieta. Mais beaucoup de ces littératures, surtout après le XIXe siècle, ont trouvé également leurs propres façons de travailler les matériaux épiques. On pense par exemple à A cabeça calva de Deus, du capverdien Corsino Fortes, ou au phénomène de dérivation narrative de l'épopée, présente dans les romans mythologiques et historiques dans la production littéraire des anciennes colonies portugaises. L'œuvre de la guinéene Odete Semedo : No fundo do canto (qu'on considère en général comme une épopée malgré les dénégations de l'auteure), comme Uma viagem à Índia, du portugais Gonçalo Tavares, attestent de la permanence et de la transformation d'un genre considéré comme disparu par de nombreux critiques littéraires.

La présence concomitante dans l'épopée des plans historique et merveilleux mène à réfléchir aux concepts mêmes d'Histoire et de Mythe. C'est particulièrement important pour la période post-coloniale, quand l'espace donné aux « minorités » d'un côté remet en question la révision littéraire du sens de l'Histoire et, de l’autre, récupère les aspects identitaires, mythiques et culturels négligés par les sociétés menées par l'optique du colonisé comme subalterne. Le but de ce numéro de la Revista Épicas sera ainsi, de façon générale, de vérifier dans quelle mesure des productions épiques en langue portugaise peuvent avoir contribué au processus de formation des identités nationales, et, de façon plus particulière, en quoi elle peuvent être vues dans les temps de la mondialisation comme le signe d'une expression contre-culturelle.

Deux axes de réflexion sont proposés :

1. Représentations de l'Histoire

Étude d'œuvres épiques écrites en langue portugaise à partir des représentations historiques qu’elles contiennent, avec un accent particulier sur les aspects révisionnistes, sur le dialogue avec la tradition importée et sur la redéfinition de la matière historique dans le but d'assumer l’épique comme un lieu de discours.

2. Représentations du Mythe

Étude d'œuvres épiques écrites en langue portugaise à partir des images mythiques qu’elles contiennent, afin d'analyser à la fois la relecture des mythes importés et la valorisation de leurs propres images mythiques, visant à promouvoir la construction d'une identité épique particulière.

 

La date limite d’envoi des propositions d’articles (revistaepicas@gmail.com), dans l’une des langues du CIMEEP est le 15 décembre 2018. La limite de longueur pour les articles sera de 80 000 signes, espaces compris. Ils devront être accompagnés d’un résumé anglais et d’un résumé dans la langue de l’article. Nous vous remercions de respecter les normes de la revue consultables sur son site www.revistaepicas.com.


Tous les auteurs recevront une réponse définitive du comité éditorial avant le 30 janvier  2019; la publication en ligne est prévue pour le 30 mars 2019.

Convocatoria de recepción de artículos para el cuarto número de la revista en línea

Revista Épicas dedicado a "Historia y Mito en epopeyas en Lengua Portuguesa"

 

Coordinación de este número:
Ana Mafalda Leite (Universidade de Lisboa)

Christina Ramalho (Universidad Federal de Sergipe)

Dossier temático: “Historia y Mito en Epopeyas en Lengua Portuguesa”

Las obras de literatura en portugués, a pesar de su diversidad y sus propios intereses temáticos, han heredado del universo cultural portugués una expresión épica de valor universal presentada en Los Lusíadas, de Luís de Camões. Este autor, en su tiempo, se atrevió a transgredir algunos paradigmas de la epopeya clásica, ampliando la participación del poeta en el mundo narrado e insertando aspectos históricos y míticos creativamente trabajados como forma de reforzar el propio contenido de la materia épica del poema. En Brasil, por ejemplo, la epopeya de Camões generó una tradición épica brasileña que tuvo en Los Lusíadas un modelo para las producciones de los siglos XVII, XVIII y XIX. En el siglo XX, la misma herencia se percibe en obras como la brasileña Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima, y la mozambiqueña As Quybyrycas, de António Quadros. Además, muchas de estas literaturas, principalmente después del siglo XIX, experimentaron formas propias de trabajar sus materias épicas, de que son ejemplos A cabeça calva de Deus, del caboverdiano Corsino Fortes o No fundo do canto, de la guineana Odete Semedo, que incluso niega el sentido épico de su poema. En Portugal, producciones como la de Gonçalo Tavares, Uma viagem à Índia, dan fe de la permanencia de un género muchas veces considerado extinto. Fuera del eje de la herencia de Camões, se encuentran, además, epopeyas que dialogaron directamente con la tradición clásica, como A gesta de Mem de Sá, de José de Anchieta. Otro fenómeno curioso es la derivación de la epopeya presente en novelas de carácter mítico e histórico que se puede encontrar en la producción literaria de las antiguas colonias portuguesas.


Por otro lado, una vez que las epopeyas se caracterizan por la presencia de los planos histórico y maravilloso, es importante reflexionar acerca de los propios conceptos de Historia y Mito, principalmente en tiempos poscoloniales, cuando el espacio dado a las hasta entonces denominadas "minorías" tanto deflagra la revisión literaria del sentido de Historia, como recupera aspectos míticos y culturales identitarios olvidados por sociedades conducidas por la óptica del colonizado como subalterno. Por lo tanto, el propósito de este número de la Revista Épicas es, en general, comprobar como las producciones épicas escritas en lengua portuguesa pueden haber contribuido en los procesos de afirmación de las identidades nacionales, o, en tiempos de globalización, pueden ser vistas como signos de una expresión contracultural. Dentro de este enfoque, se definen dos ejes de reflexión acerca de las producciones épicas en el contexto de las literaturas de Lengua Portuguesa:

 

1. Representaciones de la Historia

Estudio de epopeyas escritas en lengua portuguesa desde el foco en las representaciones históricas que contienen, con especial énfasis en los aspectos revisionistas, en el diálogo con la tradición importada y en la redefinición del material histórico cuya intención es asumir un discurso propio.

2. Representaciones del Mito

Estudio de epopeyas escritas en lengua portuguesa desde el enfoque de las imágenes míticas que presentan tanto la presencia de relecturas de mitos importados, como la valoración de imágenes míticas propias cuyo objetivo es promover la construcción de una identidad épica particular.

 

La fecha límite para enviar el artículo en uno de los idiomas CIMEEP (disponibles en revistaepicas@gmail.com) es el 15 de diciembre de 2018.  Los textos deben tener un límite de 80.000 caracteres, incluidos los espacios e deben estar acompañados de un resumen en inglés y otro en el idioma del artículo. Pedimos que sean observadas las directrices de la revista disponible en: www.revistaepicas.com.

 

Todos los autores recibirán una respuesta final del Consejo Editorial antes del 30 de enero de 2019; y la publicación en sitio web está prevista para el 30 de marzo de 2019.

Call for papers for the fourth issue of the online journal Revista Épicas dedicated to "History and Myth in Portuguese Languagen epic poems"

Coordination number:
Ana Mafalda Leite (Universidade Federal de Sergipe)

Christina Ramalho (Universidade Federal de Sergipe)

 

Thematic dossier: "History and Myth in Portuguese Language epic poems"

Despite their diversity and their own thematic interests, literature in Portuguese inherited, from the Portuguese cultural universe, an epic expression of universal value given by Os Lusíadas, by Luís de Camões. Camões was able to transgress some paradigms of the classical epic and was able to expand the participation of the poetic voice in the narrated world. Camões inserted historical and mythical aspects with originality to reinforce the epic characteristics of the poem. In Brazil, for example, Os Lusíadas generated a Brazilian epic tradition that had in Camões a model for the productions of the 17th, 18th and 19th Centuries. Even in the 20th century, the Camonian heritage is seen in works such as the Brazilian, Invenção de Orfeu, by Jorge de Lima, and the Mozambican, As Quybyrycas, by António Quadros. Many of these literatures, especially after the nineteenth century, presented in different ways their epic subjects, such as the A cabeça calva de Deus, by the Cape Verdean Corsino Fortes, or No fundo do canto, by the Guinean Odete Semedo, which even denies the epic sense of her poem. In Portugal, works such as Uma viagem à Índia, by the Portuguese Gonçalo Tavares, attest to the permanence of a genre by many considered extinct. Outside the axis of the Camonian inheritance, there are also epic poems that dialogue directly with the classical tradition, such as A Gesta de Mem de Sá, by José de Anchieta. Another curious phenomenon is the narrative derivation of the epic, present in mythical-historical novels found in the literary production of Portuguese ex-colonies.

On the other hand, since the epics are characterized by the presence of historical and marvelous plans, it is important to reflect on the concepts of History and Myth. This is especially important in postcolonial times when the space given to hitherto "minorities" both deflagrates the literary revision of the sense of History and recovers mythical and cultural identity aspects neglected by colonial societies and understood as a subaltern. Thus, the proposal of this issue of Revista Épicas is, in general, to verify to what extent epic productions in Portuguese Language may have contributed to the processes of affirmation of national identities, or, in times of globalization, be signs of a countercultural expression. Within this conception of approach, we define two axes of reflection on the production of epic poems and epic narratives in the context of Portuguese Language Literatures:

1. Representations of History

Study of epic works written in Portuguese with a focus on the historical representations, with a special emphasis on:  revisionist aspects, the dialogue with imported tradition, and the redefinition of historical matter from the resource of assuming the epic discourse as a place of dialogue.

 

2. Representations of the Myth

Study of epic works written in Portuguese with an emphasis on the mythical images that verify both the re-reading of imported myths and the valuation of their own mythic images, aiming to promote the construction of an epic identity.

 

Articles may be written in English, French, Spanish, Portuguese or German. (please send to revistaepicas@gmail.com). The deadline for submission is December 15th, 2017. The norms and procedures for publication can be found on the following website: www.revistaepicas.com.

 

The Editorial Board’s evaluation will be sent to all authors by January 30th, 2018. This publication is scheduled for March 30, 2019.

Chamada de trabalhos para o quinto número da revista on-line

Revista Épicas dedicado a "A Ásia épica"

Coordenação do número:

Anna Beatriz Paula (Universidade Federal do Paraná)

Claudine Le Blanc (Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3)

Dossiê temático: “A Ásia épica”

 

Existe algum sentido em se pensar sobre a epopeia dentro do espaço asiático, onde há áreas notavelmente ricas em tradições épicas (Pérsia, Índia, Ásia Central, Tibete, Sibéria, Japão, etc.) e também a China, muitas vezes citada como um exemplo de civilização sem epopeia? A amplitude e a diversidade das produções épicas na Ásia foram consideradas, como sabemos, a partir da ideia do "épico oriental" apreciada no século XIX, que se referia muitas vezes a épicos antigos (Gilgamesh, epopeias sânscritas). Se foi possível publicar um volume sobre Les épopées d’Afrique noire (Kesteloot e Dieng, 2009), com as produções épicas asiáticas não ocorreu o mesmo: presentes várias delas em obras coletivas com viés comparatista (Labarthe, 2004, Feuillebois-Pierunek, 2011), elas permanecem excluídas do Cambridge Companion to the Epic (2010) – com a notável exceção de Gilgamesh – e não dão origem, em qualquer caso, a uma reflexão específica.

 

O mundo asiático, no entanto, apresenta um caso notável de difusão épica, o do Rāmāyaṇa indiano no Sudeste Asiático e na Indonésia, exemplificando a unificação de um vasto espaço por meio da epopeia, que contém, ela própria, uma história de viagem (ayaṇa), e cuja difusão leva à metamorfose.

 

Assim, a partir do caso da Ásia, gostaríamos de questionar a relação mantida pela epopeia com aspectos como o deslocamento, a migração, a mobilidade geográfica e a configuração do espaço, e, a partir dela, refletir sobre a questão da escala na análise das epopeias: o que sentido dar aos espaços percorridos nos textos? Como esses sentidos se articulam com o espaço percorrido pelos textos?

 

É pela pertinência de um pensamento geográfico no gênero épico que o número 5 da revista Revista Épicas gostaria de se dedicar de forma privilegiada às tradições épicas do mundo asiático, que são numerosas, mas frequentemente pouco consideradas em sua singularidade.

 

Várias pistas podem ser exploradas nesta perspectiva:

 

- A Ásia (ou um espaço asiático) como um lugar diegético nas tradições épicas, tanto ocidentais (de Alexandre a Uma Viagem à Índia de Tavares) como extra-ocidentais;

- a representação do espaço e do deslocamento nas epopeias da Ásia;

- a circulação das tradições épicas na Ásia, tanto as orais quanto as impressas;

- a identificação das especificidades temáticas ou formais das tradições épicas asiáticas;

- a tematização de uma especificidade cultural na modernidade épica (ou, pelo contrário, sua dissolução, hoje, em uma patrimonialização ambígua, como a da epopeia tibetana Gesar de Gling).

 

O prazo para o envio de propostas de artigos (revistaepicas@gmail.com), numa das línguas do CIMEEP, é 15 de dezembro de 2018. O limite máximo é de 80.000 caracteres com espaços. Devem vir acompanhados de um resumo em inglês e na língua do artigo. Agradecemos que respeitem as normas para colaborações, que podem ser consultadas no site www.revistaepicas.com.

Todos os autores receberão uma resposta final do Conselho Editorial até 15 de abril de 2019; e a publicação on-line está prevista para 30 de junho de 2019.

Appel à contributions pour le cinquième numéro de la revue en ligne Revista Épicas consacré à « L’Asie épique »

 

Coordination du numéro:

Anna Beatriz Paula (Universidade Federal do Paraná)

Claudine Le Blanc (Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3)

Dossier thématique : “L’Asie épique”

Y a-t-il un sens à penser l’épopée au sein de l’espace asiatique, où l’on trouve aussi bien des aires remarquablement riches en traditions épiques (Perse, Inde, Asie centrale, Tibet, Sibérie, Japon, etc.) que la Chine, citée souvent comme exemple de civilisation sans épopée ? L’ampleur et la diversité des productions épiques en Asie ont eu raison, on le sait, de l’idée d’ « épopée orientale » qu’affectionnait le XIXe siècle, en désignant par là le plus souvent les épopées anciennes (Gilgamesh, les épopées sanskrites). Si l’on a pu publier un volume sur Les épopées d’Afrique noire (Kesteloot et Dieng, 2009), l’ensemble des productions asiatiques se s’impose pas de la même façon : présentes pour plusieurs d’entre elles dans des ouvrages collectifs à vocation comparatiste (Labarthe, 2004 ; Feuillebois-Pierunek, 2011), elles restent exclues du Cambridge Companion to the Epic (2010) –  à l’exception notable de Gilgamesh –  et ne donnent pas lieu, quoi qu’il en soit, à une réflexion spécifique.

 

Le monde asiatique présente pourtant un cas remarquable de diffusion épique, celle du Rāmāyaṇa indien en Asie du Sud-Est et en Indonésie, exemplifiant l’unification d’un vaste espace par un récit épique, lui-même histoire d’un parcours (ayaṇa), et que sa diffusion conduit à métamorphoser.

 

Aussi voudrait-on, à partir du cas de l’Asie, interroger la relation entretenue par l’épopée avec le déplacement, la migration, la mobilité géographique et la configuration de l’espace, et par là-même réfléchir à la question de l’échelle dans l’analyse des récits épiques : quel sens donner aux espaces parcourus dans les textes ? Comment ces derniers s’articulent-ils avec l’espace parcouru par les textes ?

 

C’est à la pertinence d’une pensée géographique du genre épique que le numéro n°5 de la revue Revista Épicas voudrait ainsi se consacrer, en retenant de façon privilégiée les traditions épiques du monde asiatique, nombreuses mais le plus souvent envisagées dans leur singularité.

 

Plusieurs pistes pourront être explorées dans cette perspective :

 

  • l’Asie (ou un espace d’Asie) comme lieu diégétique dans les traditions épiques, tant occidentales (d’Alexandre à Uma Viagem à Índia de Tavares) qu’extra-occidentales;

  • la représentation de l’espace et du déplacement dans les épopées d’Asie;

  • la circulation des traditions épiques en Asie, à l’oral comme dans les cultures imprimées;

  • la mise au jour de spécificités thématiques ou formelles des traditions épiques asiatiques;

  • la thématisation d’une spécificité culturelle dans la modernité épique (ou au contraire, sa dissolution, dans une patrimonialisation ambiguë, telle celle de l’épopée tibétaine Gesar de Gling aujourd’hui).

 

 

La date limite d’envoi des propositions d’articles (revistaepicas@gmail.com), dans l’une des langues du CIMEEP est le 15 décembre 2018. La limite de longueur pour les articles sera de 80 000 signes, espaces compris. Ils devront être accompagnés d’un résumé anglais et d’un résumé dans la langue de l’article. Nous vous remercions de respecter les normes de la revue consultables sur son site www.revistaepicas.com.

 

Tous les auteurs recevront une réponse définitive du comité éditorial avant le 15 avril 2019 ; la publication en ligne est prévue pour le 30 juin 2019.

Convocatoria de recepción de artículos para el  quinto número de la revista en línea Revista Épicas dedicado a "La Asia épica"

 

Coordinación de este número:

Anna Beatriz Paula (Universidade Federal do Paraná)

Claudine Le Blanc (Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3)

Dossier temático: “La Asia épica”

 

¿Hay algún sentido pensar en la epopeya dentro del espacio asiático, donde hay áreas notablemente ricas en tradiciones épicas (Persia, India, Asia Central, Tíbet, Siberia, Japón, etc.)? .) y también la China, a menudo citado como un ejemplo de civilización sin epopeya? La amplitud y la diversidad de las producciones épicas en Asia fueron consideradas, como sabemos, a partir de la idea del "épico oriental" apreciada en el siglo XIX, que se refería muchas veces a épicos antiguos (Gilgamesh, epopeyas sánscritas). Si fue posible publicar un volumen sobre Les épopées d'Afrique noire (Kesteloot y Dieng, 2009), en el caso de las épicas asiáticas no ocurrió lo mismo: presentes varias de ellas en obras colectivas con sesgo comparatista (Labarthe, 2004, Feuillebois-Pierunek, 2011), permanecen excluidas del Cambridge Companion to the Epic (2010) – con la notable excepción de Gilgamesh – y no dan lugar, en ningún caso, a una reflexión específica.

 

El mundo asiático, sin embargo, presenta un caso notable de difusión épica, el Rāmāyaṇa indio en el sudeste de Asia e la Indonesia, que ejemplifica la unificación de un gran espacio por medio de un relato épico que contiene, en sí mismo, un viaje (ayaṇa), y cuya difusión conduce a la metamorfosis.

Así, a partir del caso de Asia, nos gustaría cuestionar la relación mantenida por la epopeya con aspectos como el desplazamiento, la migración, la movilidad geográfica y la configuración del espacio, y, a partir de ella, reflexionar sobre la cuestión de la escala en el análisis de las epopeyas: ¿qué sentido dar a los espacios recorridos en los textos? ¿Cómo estos sentidos se articulan con el espacio recorrido por los textos?

Es por la pertinencia de un pensamiento geográfico en el género épico que el número 5 de la Revista Épicas quisiera dedicarse de forma privilegiada a las tradiciones épicas del mundo asiático, que son numerosas, pero a menudo poco consideradas en su singularidad.

 

Varias pistas se pueden explorar en esta perspectiva:

 

- El Asia (o un espacio asiático) como un lugar diegético en las tradiciones épicas, tanto occidentales (de Alexandre à Uma Viagem à Índia de Tavares) como extra-occidentales;

- la representación del espacio y el desplazamiento en las epopeyas de Asia;

- la circulación de las tradiciones épicas en Asia, tanto las orales como las impresas,

- la identificación de las especificidades temáticas o formales de las tradiciones épicas asiáticas,

- la tematización de una especificidad cultural en la modernidad épica (o, por el contrario, su disolución hoy día, en una patrimonialización ambigua, como la de la epopeya tibetana Gesar de Gling).

 

La fecha límite para enviar el artículo en uno de los idiomas CIMEEP (disponibles en revistaepicas@gmail.com) es el 15 de diciembre de 2018.  Los textos deben tener un límite de 80.000 caracteres, incluidos los espacios e deben estar acompañados de un resumen en inglés y otro en el idioma del artículo. Pedimos que sean observadas las directrices de la revista disponible en: www.revistaepicas.com.

 

Todos los autores recibirán una respuesta final del Consejo Editorial antes del 15 de abril de 2019; y la publicación en sitio web está prevista para el 30 de junio de 2019.

Call for papers for the fifth issue of the online journal  Revista Épicas dedicated

to "Epic Asia"

Coordination number:

Anna Beatriz Paula (Universidade Federal do Paraná)

Claudine Le Blanc (Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3)

Thematic dossier: "Epic Asia"

  

Is there any sense in thinking about epic literature within the Asiatic space, where there are areas remarkably rich in epic traditions (Persia, India, Central Asia, Tibet, Siberia, Japan, etc.) and also China, often cited as an example of civilization without epic? The breadth and diversity of epic productions in Asia were, as we know, taken from the idea of the "Eastern epic" appreciated in the nineteenth century, which often referred to ancient epics (Gilgamesh, Sanskrit epics). If it was possible to publish a volume on Les épopées d'Afrique noire (Kesteloot and Dieng, 2009), with the Asian epic productions did not occur the same: several of them appeared in collective works with comparative focus (Labarthe, 2004, Feuillebois-Pierunek, 2011), but they remain excluded from the Cambridge Companion to the Epic (2010) – with the notable exception of Gilgamesh –and do not in any case give rise to a specific reflection.

 

The Asian world nevertheless presents a remarkable case of epic diffusion, that of the Indian Rāmāyaṇa in South-East Asia and Indonesia, exemplifying the unification of a vast space by an epic narrative, itself a story of a journey (ayaṇa), which diffusion leads to metamorphosis.

 

Thus, from the case of Asia, we would like to question the relation maintained by epic literature with aspects as the displacement, the migration, the geographical mobility and the configuration of space, and thus to reflect on the question of the scale in the analysis of epic literature: what meanings to give to the spaces traversed in the texts? How do these meanings articulate with the space traversed by the texts?

 

Because of the pertinence of a geographical thought on the epic genre that the number 5 of the Revista Épicas would like to devote itself in a privileged way the epic traditions of the Asian world, which are numerous, although often not considered in their singularity.

 

Several tracks can be explored in this perspective:

 

- Asia (or an Asian space) as a diegetic place in the epic traditions, both Western (from Alexander to Uma Viagem to Índia de Tavares) and extra-Western;

- the representation of space and the displacement in the Asian epic literature;

- the circulation of epic traditions in Asia, both in orally and in printed cultures;

- the identification of thematic or formal specificities of Asian epic traditions;

- the thematization of a cultural specificity in epic literature modernity (or on the contrary, its dissolution today, in an ambiguous patrimonialization, such as that of the Tibetan epic Gesar de Gling).

 

Articles may be written in English, French, Spanish, Portuguese or German. (please send to revistaepicas@gmail.com). The deadline for submission is December 15th, 2018. The norms and procedures for publication can be found on the following website: www.revistaepicas.com.

 

The Editorial Board’s evaluation will be sent to all authors by April 15th, 2019. This publication is scheduled for June 30, 2019.

Chamada de trabalhos para o sexto número da revista on-line

Revista Épicas dedicado a Soror Maria de Mesquita Pimentel e o épico

Coordenação do número:

Fabio Mario da Silva

(Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará/CLEPUL-Univ. de Lisboa)

Henrique Marques Samyn

(Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

Dossiê temático: “Soror Maria de Mesquita Pimentel e o épico”

 

Soror Maria de Mesquita Pimentel foi uma monja cisterciense que viveu na cidade de Évora, no século XVII, professa do Mosteiro de São Bento de Cástris. Ela foi a primeira mulher portuguesa a escrever e publicar um texto épico, tendo uma obra publicada em vida, Memorial da Infância de Cristo e Triunfo do Divino Amor (primeira parte) de 1639, primeira parte duma trilogia épica também composta por Memorial dos Milagres de Cristo e Triunfo do Divino Amor (segunda parte) e Memorial da Paixão de Cristo e Triunfo do Divino Amor (terceira parte), manuscrito único depositado na Biblioteca Pública de Évora e que foi reeditado. Por isso, este número da Revista Épicas é dedicado a essa escritora que durante séculos permaneceu à margem da historiografia literária e deixou um legado de grande envergadura que dialoga com outras épicas, como Os Lusíadas e as epopeias homéricas. Além do dossiê, serão aceitos também textos para uma sessão “vária”, desde que relacionados aos temas épicos.

O prazo para o envio de propostas de artigos (revistaepicas@gmail.com), numa das línguas do CIMEEP, é 30 de agosto de 2019. O limite máximo é de 80.000 caracteres com espaços. Devem vir acompanhados de um resumo em inglês e na língua do artigo. Agradecemos que respeitem as normas para colaborações, que podem ser consultadas no site www.revistaepicas.com.

Todos os/as autores/as receberão uma resposta final do Conselho Editorial até 30 de setembro de 2019; e a publicação on-line está prevista para 15 de dezembro de 2019.

Appel à contributions pour le sixième numéro de la revue en ligne

Revista Épicas consacré à « Sóror Maria de Mesquita Pimentel et l'épopée  »

Coordination du numéro:

Fabio Mario da Silva

(Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará/CLEPUL-Univ. de Lisboa)

Henrique Marques Samyn

(Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

Dossier thématique : “Sóror Maria de Mesquita Pimentel et l'épopée”

Soror Maria de Mesquita Pimentel était une religieuse cistercienne qui vivait dans la ville d'Évora au XVIIe siècle, professée par le monastère de São Bento de Cástris. Elle a été la première femme portugaise à écrire et à publier un texte épique. Elle a publié une œuvre dans la vie, Mémorial de l'enfance du Christ et Triomphe de l'amour divin (première partie) de 1639, première partie d'une trilogie épique composée également par Mémorial des Miracles de Christ et le triomphe de l'amour divin (deuxième partie) et Mémorial de la passion du Christ et le triomphe de l'amour divin (troisième partie), un manuscrit unique déposé à la bibliothèque publique d'Évora et réimprimé. Pour cette raison, ce numéro de Revista Épicas est dédié à cet écrivain qui, pendant des siècles, est resté en marge de l'historiographie littéraire et a laissé un héritage d'une grande portée qui dialogue avec d'autres épopées, telles que Les Lusiades et l'épopée Homérique. En plus du dossier, les textes d'une session "divers" seront également acceptés, dans la mesure où ils portent sur des thèmes épiques.

La date limite d’envoi des propositions d’articles (revistaepicas@gmail.com), dans l’une des langues du CIMEEP est le 30 août 2019. La limite de longueur pour les articles sera de 80 000 signes, espaces compris. Ils devront être accompagnés d’un résumé anglais et d’un résumé dans la langue de l’article. Nous vous remercions de respecter les normes de la revue consultables sur son site www.revistaepicas.com.

Tous les auteurs recevront une réponse définitive du comité éditorial avant le 30 septembre 2019; la publication en ligne est prévue pour le 15 décembre 2019.

Convocatoria de recepción de artículos para el sexto número de la revista en línea Revista Épicas dedicado a “Soror Maria de Mesquita Pimentel e o épico”

Coordinación de este número:

Fabio Mario da Silva

(Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará/CLEPUL-Univ. de Lisboa)

Henrique Marques Samyn

(Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

Dossier temático: “Soror Maria de Mesquita Pimentel e o épico”

Soror María de Mesquita Pimentel fue una monja cisterciense que vivió en la ciudad de Évora, en el siglo XVII, profesa del Monasterio de San Benito de Cástris. Ella fue la primera mujer portuguesa de escribir y publicar un texto épico, que tiene una obra publicada en vida, Memorial de la infancia de Cristo y triunfo del amor (primera parte) 1639, la primera parte de una trilogía épica también comprende Memorial de los Milagros Cristo y Triunfo del Divino Amor (segunda parte) y Memorial de la Pasión de Cristo y Triunfo del Divino Amor (tercera parte), manuscrito único depositado en la Biblioteca Pública de Évora y que fue reeditado. Por eso, este número de la Revista Épicas está dedicado a esa escritora que durante siglos permaneció al margen de la historiografía literaria y dejó un legado de gran envergadura que dialoga con otras épicas, como Los Lusíadas y las epopeyas homéricas. Además del dossier, serán aceptados también textos para una sesión "varia", desde que relacionados a los temas épicos.

La fecha límite para enviar el artículo en uno de los idiomas CIMEEP (disponibles en revistaepicas@gmail.com) es el 30 de agosto de 2019. Los textos deben tener un límite de 80.000 caracteres, incluidos los espacios e deben estar acompañados de un resumen en inglés y otro en el idioma del artículo. Pedimos que sean observadas las directrices de la revista disponible en: www.revistaepicas.com.

Todos los autores recibirán una respuesta final del Consejo Editorial hasta el 30 de Septiembre de 2019; y la publicación en sitio web está prevista para el 15 de diciembre de 2019.

Call for papers for the sixth issue of the online journal

Revista Épicas dedicated to "Sister Maria de Mesquita Pimentel and the epic poem"

 

Coordination number:

Fabio Mario da Silva

(Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, Brazil/CLEPUL-Univ. de Lisboa)

Henrique Marques Samyn

(Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brazil)

Thematic dossier: "Sister Maria de Mesquita Pimentel and the epic poem"

 

Sister Maria de Mesquita Pimentel was a 17th century Cistercian nun attached to the Monastery of Saint Benedict de Castris, in the city of Évora, Portugal, and the first Portuguese woman to write an epic text and to have had it published during her lifetime. The celebrated Memorial of the Childhood of Christ and the Triumph of Divine Love (part I) of 1639, a single manuscript version of which was deposited in the Évora Public Library and subsequently printed, was the first part of an epic trilogy consisting also of the Memorial of the Miracles of Christ and the Triumph of Divine Love (as part II) and the Memorial of the Passion of Christ and the Triumph of Divine Love (as part III).

This 6th issue of the Revista Épicas is dedicated to this writer who for centuries remained on the margins of literary historiography despite having left a legacy the scope of which allows it to readily enter into dialogue with other epic works such as Os Lusíadas of Camões and the Homeric epics.

Proposals and texts will also be accepted for a "miscellaneous" section of the issue as long as they relate to the theme of epics.

The deadline for submitting proposals for articles (revistaepicas@gmail.com), in one of the languages of CIMEEP, is August 30, 2019. The maximum limit is 80,000 characters with spaces. Submissions should be accompanied by a summary in English and in the language of the article. We would appreciate your compliance with the rules for submissions, which can be consulted at www.revistaepicas.com.

All authors will receive a final response from the Editorial Board by September 30, 2019; with online publication scheduled for December 15, 2019.